No fim da tarde, quem observa Santo Antônio de Lisboa a partir da orla vê a igreja no alto da praça, o casario de cores suaves e os veleiros parados sobre a Baía Norte. É uma paisagem que parece fora do tempo e que guarda quase três séculos de memória açoriana.
Neste artigo, percorremos a trajetória do bairro, da chegada dos primeiros colonos às tradições que seguem vivas nas ruas de pedra.
A chegada dos açorianos
Em 1748, famílias vindas do arquipélago dos Açores desembarcaram no porto da baía e decidiram fazer dali o seu lugar. Trouxeram consigo a fé, a arquitetura das ilhas atlânticas e uma relação íntima com o mar, que logo se tornou fonte de sustento e eixo da vida cotidiana.
A pesca, as pequenas lavouras e o comércio pelo porto organizaram os primeiros anos do povoado, que crescia voltado para as águas calmas da Baía Norte.
A freguesia e a Igreja Nossa Senhora das Necessidades
Em 1750, o núcleo foi elevado à freguesia e recebeu o nome do padroeiro de Lisboa. Seis anos depois, em 1756, os moradores ergueram a Igreja Nossa Senhora das Necessidades, uma das mais antigas de Florianópolis.
Com a fachada branca voltada para a praça, a igreja segue como o ponto de encontro da comunidade e um dos marcos da arquitetura açoriana na Ilha.
Um imperador na praça
Em 1845, Dom Pedro II visitou a freguesia. Para receber o imperador, os moradores calçaram o caminho que levava à igreja, e aquela se tornou a primeira rua pavimentada de Santa Catarina.
O trecho, junto à Praça Roldão da Rocha Pires, permanece entre os marcos mais visitados de Santo Antônio, lembrança de um tempo em que o porto tinha papel central na vida da Ilha.
Tradições que seguem vivas
Caminhar pelo centro histórico é encontrar a herança açoriana a cada esquina. O casario preservado, reconhecido como patrimônio, conserva as proporções e as aberturas das construções coloniais.
A renda de bilro é outro dos elos com o passado. A técnica, trazida pelas mulheres açorianas, segue produzida à mão, com os bilros de madeira alternando os fios sobre a almofada até formar desenhos delicados. Em ateliês e lojas de artesanato do bairro, as peças contam a mesma história de paciência e ofício que atravessou gerações.
A gastronomia de Santo Antônio
A relação com o mar também chegou à mesa. As fazendas de ostras da Baía Norte ajudam a explicar por que Santa Catarina lidera a produção de ostras do país, e as casas de frutos do mar à beira da orla fizeram de Santo Antônio um dos endereços gastronômicos mais procurados de Florianópolis.
Hoje, a Via Gastronômica reúne cozinha contemporânea, receitas autorais e propostas internacionais, sempre com a baía como cenário. Em 2015, Florianópolis se tornou a primeira cidade brasileira reconhecida pela UNESCO como Cidade Criativa da Gastronomia, e o bairro é parte essencial desse título.
Um novo capítulo
É nesse cenário que a KDS escolheu escrever parte da sua trajetória. O Wynn, entregue em Santo Antônio, e o Vista Artefacto by KDS, em desenvolvimento a poucos metros dali, foram projetados a partir de uma leitura atenta do entorno: a escala das casas vizinhas, a relação com a orla e a luz que atravessa a baía no fim da tarde.
Construir aqui significa somar um capítulo a uma trajetória iniciada há mais de 270 anos, com o mesmo respeito ao lugar que os primeiros moradores tiveram ao escolhê-lo.
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